Cirkus Cirkör: Luz, câmera, coração
Bem-aventurados os que não precisam ver para crer. Mas para todos os outros, de pouca fé ou paciência, o milagre se revela no abrir das cortinas: os holofotes se acendem e, de repente, tudo parece possível no palco do Cirkus Cirkör, uma das trupes artísticas contemporâneas mais importantes da Suécia. Arrastando multidões por onde passa,… Ver artigo
Claudia Nascimento
Bem-aventurados os que não precisam ver para crer. Mas para todos os outros, de pouca fé ou paciência, o milagre se revela no abrir das cortinas: os holofotes se acendem e, de repente, tudo parece possível no palco do Cirkus Cirkör, uma das trupes artísticas contemporâneas mais importantes da Suécia.
Arrastando multidões por onde passa, o grupo traz no porta-malas os mesmos valores do país natal e da Volvo: sustentabilidade, inovação e “humanização” – isso porque todo o espetáculo é pensado para oferecer ao público uma experiência sem precedentes, resultado de uma química orgânica que mistura acrobacias, artes cênicas, dança, contorcionismo e equilíbrio. Podemos dizer que, de certa forma, a proposta do coletivo sueco dialoga com a ousadia dos argentinos do Fuerza Bruta.
Mesmo sem todo o glamour e fama dos hermanos, os artistas do Cirkös são aplaudidos de pé por cerca de 100 mil pessoas a cada temporada, e suas turnês garantem dezenas de carimbos nos passaportes de seus integrantes – e pode ver que lá deve constar alguns selos brasileiros também, porque a trupe esteve no país em diferentes oportunidades.
Quando os holofotes se apagam, a maratona de treinos e exercícios continua para os protagonistas e os quase 30 mil alunos da entidade, que comanda cursos de técnicas circenses e uma programação especial para futuros professores da área.

Fotos: Mattias Edwall
Toda essa mágica que se desdobra em apresentações e aulas é controlada a partir do HQ do grupo: um escritório em Norsborg, no subúrbio de Estocolmo, onde é servido cafezinho orgânico, o papel da copiadora é ecofriendly e os móveis do escritório são garimpos de brechós da cidade.
Como as turnês do Cirkör rodam o mundo, a organização segue as regras da União Europeia e as recomendações da Associação Sueca de Proteção à Natureza (SNF) para diminuição do dióxido de carbono em viagens aéreas.

Desde 2005, o grupo adota também o pagamento da taxa de “compensação de carbono”: se o país organizador do evento não tiver interesse em contribuir com 50% do valor, o grupo se compromete a pagar a totalidade ao SNF. Além do foco na proteção ambiental, a iniciativa visa inspirar empresas e países, criando conscientização sobre sustentabilidade, algo enraizado à cultura sueca.

Por todos os “milagres” que fazem dentro e fora do palco fica fácil entender o porquê do nome Cirkus Cirkör – uma brincadeira com as palavras francesas cirque e couer, “circo” e “coração”, respectivamente: é que o malabarismo da trupe equilibra arte e vida sem nuca deixar a peteca – e a fé – cair.

