A vez do mate
A bebida tradicional de vários países latino-americanos abre espaço na prateleira de superalimentos.
Adriana Setti
Amargo, forte, compartilhado na mesma cuia e na mesma bomba: até pouco tempo, tomar mate era um ritual cultural tão arraigado que parecia intraduzível.
Mas o mundo do bem-estar está sempre ávido por novidades e a bebida que sempre circulou entre Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil encontrou novas rotas.
Mate, chimarrão ou tererê
Pra vários povos sul-americanos, a bebida feita a partir da erva-mate é bem mais do que uma infusão. É um ritual que atravessa gerações como um símbolo de conexão. A palavra é compartilhar: reunir os amigos, bater papo, fortalecer vínculos. Está presente nos momentos de lazer, no trabalho, na rotina. Em um mundo acelerado, é uma pausa.

“Havia algo muito folclórico por trás dessa infusão, que dificultava sua adaptação aos gostos locais. No entanto, seja pela grande exposição que atletas como Lionel Messi e Franco Colapinto deram ao mate, seja por uma estratégia de marketing, o fato é que ele se tornou um produto indispensável nas prateleiras dos supermercados na Europa.”
Fonte: trecho de “El mate está de moda: los beneficios para la salud de la infusión que se impone en España” (Informativos Telecinco)

Por que o mate viralizou?
→ Embalo na onda dos superalimentos.
→ Busca por energia “natural”.
→ Influência de celebridades: de Messi a Papa Francisco.
→ A estética do ritual compartilhado.
→ Interesse crescente pela cultura latino-americana.

Antes de ser tendência, é vínculo
O mate tem sua linguagem própria: oferecer uma cuia é hospitalidade. Esse sentido de comunidade, tão simples e forte, é o que a América Latina tem de melhor. Em tempos de hiperindividualismo, a essência dessa erva oferece exatamente o contrário: uma experiência coletiva, que não precisa de nada além de água quente e vontade de estar junto.
