The Summer Hunter, o lado solar da vida

A ressaca do wellness

Depois de anos tentando evitar o mal-estar do dia seguinte, o desejo de viver intensamente a madrugada parece estar de volta.

Manuela Stelzer

Curtir a noite sem ter hora pra voltar, se jogar na pista, cultivar hábitos não tão (ou nada) saudáveis e deitar na cama quando o sol já começa a raiar.

Claro que muita gente nunca abriu mão desse lifestyle. Mas a sensação é que, após um longo período de busca incessante pelo bem-estar, cada vez mais pessoas têm abandonado a mentalidade do wellness-a-qualquer-custo e retomado uma maneira mais ousada de viver. 

Os sinais estão por toda parte

→ O revival das estéticas Y2K e club culture, muito fortes nos anos 2000.

→ Festas autorais e coletivos independentes organizando rolês noturnos em casarões e prédios históricos.

→ A estética “messy girl”, com make borrada e cabelo levemente bagunçado.

→ O feed bege e performático dá lugar a registros espontâneos, com flash ligado e pista cheia às 3h da manhã.

Menos metas, mais diversão
Parte da exaustão do wellness vem da obsessão pela performance camuflada pela justificativa do autocuidado. A noite chega como resistência: contrapõe a rigidez, a disciplina e o autocontrole exagerado do horário comercial.
Desde quando prazer virou sinônimo de desvio?

Entre ganhos e excessos

O wellness se tornou mais do que uma tendência: movimentou rotinas, marcas e bilhões de dólares. Foi um movimento que nos ensinou — e sobre isso não há dúvidas — a importância de priorizar o bem-estar, ouvir o corpo e buscar uma vida mais saudável.

Mas, no processo, quase esquecemos que a noite também tem seu valor.
A escuridão oferece:
Mais liberdade.
Afinidades instantâneas.
Espaço pra experimentar.
Espontaneidade.
O prazer de estar presente.

“As pessoas estão abandonando os wearables porque se sentem otimizadas demais. A cultura da longevidade dá a sensação de que está roubando a própria vida que promete prolongar. E isso não é um sinal de que o mercado do bem-estar está desacelerando — é justamente o contrário: está saturando.”

Tatum Woosley Brand, estrategista de conteúdo especializada no mercado wellness, em vídeo no seu perfil do Instagram

Equilíbrio também é exagerar (às vezes)

Isso não significa deixar o autocuidado de lado. Exercícios físicos, boa alimentação e descanso são os pilares que sustentam nossa saúde e que permitem que a gente se divirta. Mas não se vive apenas de disciplina: sair à noite, dançar até de madrugada e voltar pra casa com o sol nascendo também alimenta a alma — e rende boas histórias.