A difícil decisão de abandonar um livro
Dandara Fonseca
Você já leu centenas de páginas de um livro e percebe que realmente não está gostando. Mas, depois de tanto tempo investido, desistir faz sentido?
Aquela série que você adorava perdeu a graça na nova temporada. Vale abandonar agora?
Enquanto algumas pessoas mais desapegadas largam sem culpa, outras não conseguem lidar com a ideia de não ir até o fim. Com qual time você mais se identifica?


Lembrete constante
Não é só neura da sua cabeça: a ciência já comprovou que tarefas inacabadas geram uma espécie de sobrecarga cognitiva, o que faz com que elas ocupem um lugar especial na nossa mente. Esse fenômeno é chamado de Efeito Zeigarnik.
É por isso que, quando você decide deixar uma coisa pela metade e começar outra, às vezes vem uma sensação incômoda.
A esperança é a última que morre
→ “Mas vai que eu começo a gostar…”
→ “E se o melhor ainda estiver por vir?”
→ “Todo mundo elogia tanto…”
→ “Será que eu que não entendi?”
Nem oito, nem oitenta
Não precisa desistir porque os primeiros minutos de um filme ou as primeiras páginas de um livro não conquistaram você — até a relação com as nossas obras favoritas pode começar assim. Mas é melhor reconhecer que você não gosta de algo, mesmo que seja um clássico absoluto, do que ler 1.500 páginas de Guerra e Paz na força do ódio.
“Desistir como um prelúdio, como condição pra que outra coisa aconteça, como forma de antecipação ou espécie de coragem é o sinal da morte de um desejo; e, pelo mesmo motivo, é capaz de abrir espaço pra outros desejos.”
Adam Phillips, psicanalista britânico, no livro Sobre Desistir (Ubu Editora)
