A delícia de ter uma boa madrasta
Desde os primórdios, esse papel está sujeito a estigmas e desperta sentimentos conflitantes. Mas, quando bem desempenhado, pode ser um belo upgrade na família.
Manuela Stelzer
Os contos de fadas contribuíram pra eternizar as madrastas como bruxas. E até 2023, o Google exibia uma definição inacreditável: “mulher má, incapaz de sentimentos afetuosos e amigáveis”.
Preconceito à parte, é fato que a madrasta ocupa uma posição complexa. Mas, ao passo que múltiplos modelos de parentalidade vão sendo naturalizados — e pais casados são cada vez mais raros —, há muito espaço pra ressignificar esse papel.
Amor em dobro
Quando a relação entre mãe e madrasta é boa, quem ganha são os filhos. A madrasta pode ser a parceira do rolê de bicicleta ou do jogo de futebol, enquanto a mãe compartilha a ida ao cinema ou o gosto pelas artes, por exemplo. São jeitos diferentes de estar junto, que somados resultam em mais afeto e referências.
“Não tem um nome carinhoso que dê conta de uma relação que é tão complexa, tão profunda, tão cheia de B.O. e tão cheia de amor.”
Maria Ribeiro, atriz, sobre Luisa Arraes, que foi madrasta de Bento, seu filho

Família ampliada
Na infância pode ser difícil enxergar, mas, com mais maturidade, a gente entende que madrasta também é sinônimo de companhia — alguém pra nossa mãe ou pai dividir a vida e, claro, a velhice. Essa parceria pode ser valiosa não só pra eles, mas também para os filhos, que ganham mais apoio no cuidado que o tempo costuma exigir.
“A madrasta é uma mulher que assume uma posição no núcleo central da criança. Portanto, não é rede de apoio, é família. Ainda assim, há uma distorção desse papel. Por exemplo: se a madrasta lava a roupa da criança, é intrometida, mas se não lava, é negligente.”
Mari Camardelli, do @somos.madrastas, em entrevista à Marie Claire

