A delícia de ter irmãos
Pra quem teve a sorte de crescer com alguém ao lado pra dividir os dramas, brigar por besteira e compartilhar a vida.
Manuela Stelzer
Sim, irmão é artigo cada vez mais raro. Mas quem teve que disputar o controle da TV, aturar a bagunça e descobrir uma peça de roupa roubada emprestada sem aviso sabe como é valioso ter alguém no mundo que entende exatamente de onde você vem.
Claro que irmão não é garantia de amizade. Mas, quando a parceria acontece, vira um vínculo difícil de explicar e impossível de substituir.
Quem divide multiplica
Na infância, irmão serve não só pra rachar a culpa pelo vaso quebrado, mas pra aprender, na marra, que nem tudo é só nosso. Na vida adulta, o lado bom de dividir fica ainda mais evidente: cuidar dos pais, tomar decisões difíceis e encarar os perrengues de gente grande é menos pesado quando temos com quem compartilhar.


Pode ser uma família em escadinha ou ter décadas de diferença entre os filhos. Pode morar na mesma casa, no bairro vizinho ou até em outro país. Pode ter só o mesmo pai, a mesma mãe ou dividir todos os parentes. Não importa como, ter irmão muda tudo.
“Minha mãe teve seus dois últimos filhos, meus sétimo e oitavo irmãos, quando eu estava no ensino médio. Foi a época mais feliz da minha adolescência. Meus irmãos mais novos me mantiveram mais perto de casa e foram uma âncora nas dificuldades inevitáveis daqueles anos. Eles ainda são meus amigos mais próximos, os primeiros a quem recorro nos momentos difíceis.”
Catherine Ruth Pakaluk, autora do livro Hannah’s Children: The Women Quietly Defying the Birth Dearth e professora de economia na Universidade Católica da América, nos Estados Unidos

Antes só do que mal acompanhado
Não ter irmãos não é uma sentença de solidão nem de egoísmo — filhos únicos também aprendem a compartilhar, negociar e construir amizades. O que realmente faz diferença não é o tamanho da família, mas crianças que têm espaço pra experimentar frustrações, resolver conflitos e descobrir o mundo por conta própria.