A arte de flertar
Os códigos podem até mudar, mas o mix de sentimentos que surge na hora de demonstrar interesse por alguém segue o mesmo.
Dandara Fonseca
Nos últimos anos, o jogo de demonstrar interesse ficou cada vez mais digital, acompanhado de novos — e às vezes confusos — sinais: um pedido pra seguir, uma curtida nos stories, um meme depois de um longo silêncio.
Mas o flerte nunca foi exatamente uma linguagem direta. Muito antes das redes sociais, ele já era feito de pistas e mensagens deixadas pela metade.

15 de julho de 1879
P.B para S.
“Fiz-lhe alguns sinais e pareceu-me serem correspondidos. Pôs-me em dúvida a distância que nos separava. Estava vestida de preto, sobressaindo-lhe os ombros uma certa alvura, que lhe dava todo o brilho. Indique-me um meio de conduzir as cartas à sua presença. Aceite uma eterna saudade do aspirante ao seu amor. Sinto muitas saudades de ontem para hoje.”
“Era pelas páginas de um jornal ao qual toda a população letrada tinha acesso que você comunicava ao outro os seus sentimentos mais íntimos e tentava marcar um encontro em algum lugar da cidade, em algum horário.”
Alessandra El Far, professora titular de antropologia da Universidade Federal de São Paulo, no episódio “Bilhetes de amor”, do podcast Rádio Novelo Apresenta


Hoje, basta um clique pra falar em particular com quem despertou nosso interesse. E, ainda assim, nem sempre damos o primeiro passo.
Porque 150 anos atrás ou atualmente, flertar segue exigindo o mesmo: atenção pra interpretar os sinais e coragem pra correr algum risco.
Curtiu?
Ouça essa história no episódio “Bilhetes de amor”, do podcast Rádio Novelo Apresenta.